R J Cardoso

Poesia de Amor

Textos


O Circo que via
M Gerais 1950.

Há quanto tempo eu vi o circo na praça?!
Lembro-me do peão que montava o toro
Quando em acidente a morte era agouro
Eu pirralho franzino de tudo achava graça.

O medo dominava e Sericita ficava deserta
Da venda de João Queiroz eu nada via
Boa festa, palhaço! A exaltar no outro dia
O grafiteiro em suas inscrições rupestres

Apesar do medo, a festa se fazia animada.
Com música sertaneja raiz (Tonico e Tinoco)
Menino da Porteira às vezes tocava um pouco
Mas cantigas de roda animavam a gurizada.

Palhaço Pimpão o homem do nariz vermelho
Quando de traz das cortinas saia o palco tremia
No peito a febre do mais puro amor ardia
E em sua falação charadas diziam conselhos.

Agora conta, palhaço, para onde foi a arte?
- Furtaram-lhe o sonho, a proeza, a sua alegria -
Pode estar intacta e hipnotizada na magia
Do picadeiro, na emoção ou na lisura da própria arte.
R J Cardoso
Enviado por R J Cardoso em 09/05/2018
Alterado em 09/05/2018


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